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Wednesday, December 12, 2007

Manuel Alegre


De Manuel Alegre, com ilustrações de André Letria, um primeiro CAMÕES dedicado aos netos, mas que será um prazer para todos.
"Quando eu era criança, lembro-me de ver na minha casa e nas casas de pessoas de família ou amigas, normalmente na sala de visitas, um livro grande, encadernado, que se destacava de todos os outros."

Também eu tive na casa dos meus pais, sempre à mão, um livro que era OS LUSÍADAS : um minilivro, em papel bíblia, editado em Leipzig, e que andava comnosco de bolso em bolso, de casa para casa. Tinha pertencido ao meu avô.
Hoje a primeira página tem uns risquinhos dos meus netos, e já tirei o livrinho da vista de todos. Escondo-o no meu escritório, onde as mãozinhas não se atrevem tanto.
Mas abundam nas estantes muitas outras edições da Obra de Camões, para quando chegar o momento de a estudarem. Essa é a maneira de despertar o gosto e a curiosidade de ler: ter os livros à mão, deixar inclusivé um ou outro risquinho...Pegou-se no livro, perguntou-se o que é ou de quem é, falou-se do que lá vem, do que fez quem escreveu, quando foi, em que tempos.

Ler é sempre uma aventura maravilhosa, e com este primeiro Camões que Manuel Alegre nos oferece o país natalício alarga o seu sentido: que haja mais memória, que haja mais leitura e literatura nas prendas que se dão.

Friday, April 27, 2007

Manuel Alegre



Chega Manuel, com as Doze Naus :
....
"Entre aquém e além ser e não ser
tantas portas abertas ou talvez nenhuma.
Não há senão um verso por escrever
e sobre a areia branca a breve espuma."

Sente-se em alguns dos poemas uma inquietação melancólica, uma interrogação perplexa, uma quase lamentação interpelando um deus que continua escondido, uma voz que ainda não se fez ouvir, um verso que ainda não foi escrito: "Agora tenho de escrever o poema/ porque nada está escrito.E o que se acaba não acaba"...
É assim mesmo o tempo do poeta, cruza os mares da vida numa viagem sem fim.