Começar pelo título, Indícios.
Isto é, começos e não definições conclusivas. Aberturas de pensamento na consciência que temos deles, nós seres pensantes entregues aos impulsos que o inconsciente impõe. Na bela capa negra o rasgão de luz que uma janela abre, mas ainda assim impede que se fuja, porque o Nuno lhe desenhou um gradeado fino, e com ligeira sombra, apenas perceptível. Mas está lá, tem uma função, a de não deixar que se esqueça a sombra. A sombra é a realidade, como diz noutro sítio, ou como diria Platão é a única realidade que nos é dado conhecer. À pura ideia do real não se consegue chegar, menos ainda à nossa consciência de um Deus criador de que falamos, como aqui se vai falando com grande desconfiança. Existe? Fomos criados por Ele? Se existe por que não se mostra ultrapassando as coisas de que se compõe, o mundo que nos rodeia, as sombras...
Deus, essa grande parede na qual embatemos sem poder ir mais além mais longe, para lá do espelho que nos devolve um real invertido. Disse eu sou aquele que é. E o que é ser isso, é ser o Todo que nos escapa? E por que razão temos imbuído no nosso pensamento essa palavra, Deus? E a seguir o adjectivo, Criador? De um Todo que abarca o Céu e a Terra. Ler a Bíblia ajuda.
Por aqui teremos de caminhar.
O que leva um sábio e poeta a lançar-se e a lançar-nos logo de início contra a difícil discussão da existência de um deus criador, e suas tantas e múltiplas formas, nas várias zonas do mundo desde o primiro dos séculos?
Que desafio.
E não pretende respostas, lança interrogações, incluindo ao próprio deus. Letra pequena, pois são tantos, só o nosso, o de cada um, tem direito a letra grande.
Maior que a discussão de um deus que nunca conheceremos, é a discussão do poema. Essse sim, indecifrável, aberto, que deixa ver, paral á das sombras a luz inevitável que se deixa espreitar por trás de grades e por aí desafia a consciência do que é a luz rompendo as sombras e como chega até nós desde o princípio dos tempos numa imaterialiddade fictícia, que duplas ondas de ser e não ser disfarçam e nos deixam tão sós diante de coisa nenhuma: o sentido que fugiu ao sinal, o esvaziou e nós com ele, não sabermos como enfrentar o que aí vem, o que maldosamente espera por um momento que não podemos adivinhar, escondido num Éden
de frutos enganadores que só a serpente guarda.
Falso o fruto que aponta e deixa que seja comido, do conhecimeto impossível, pois deus vela e só ele sabe o que o éden por onde passeia, senhor absoluto de uma consciência que só ele detém, que a criou ou deixou que se formasse nem mesmo ele sabendo como.