Thursday, March 12, 2026

Volto a olhar para o quadro sem título do Raoul Perez. E vejo mais do que vi, no primeiro olhar. Esse é o segredo da sua meditação surrealista, onírica. Estamos no Jardim do Éden. O diabo espreita já, no princípio de tudo, enquanto o homem jaz, ainda adormecido, mas que em breve despertará para um outro sonho, o da existência primordial. À direita as portas do templo de que será expulso, um pouco mais tarde. Da sua boca nasce uma árvore, que podia ter sido a da vida eterna.Mas não, e o diabo era já um préaviso. Adão, já em forma de andrógino, masculino feminino, escolha a árvore proibida. Sai do sono com um conhecimento de que ainda hoje pouco tem, e perde a vida, cruelmente, para sempre. Raoul Perez nesta narrativa simbólica que ali se esconde, mereceu viver, para a contar.

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