Foi uma exposição, agora é um belíssimo catálogo-livro.
Paramos em cada página, meditando sobre a imagem que nos é oferecida. Sombras e formas, um fundo negro de que se destacam, recortadas da luz macia que o negro emana e quase pede que o toquem, que o acariciem, que lhe abracem a forma.
Uma estrela não cai, não se deixa cair, só assim por acaso. Vem acrescentar matéria e luz à sombra que ali por ela esperava. Temos de compreender. O que estava a faltar na alma do criador? O gesto do princípio, porque tudo tem um princípio? Ou depois desse gesto primordial o seu oposto, o apagamento que se esboça nas sombras? E que vai demorar até que adquira uma outra claridade, que permitirá às formas, ainda que deformadas, a materialidade indispensável?
Assim ficamos, entre espírito, o brilho antigo do cosmos, e matéria, a que nos é dada de um modo tão subtil e discreto que mal se deixa adivinhar.
O céu tem os seus guardas, Aldebaran é um deles. Nem a todos os que desejam é permitida a passagem. Mas a mão do criador, tantas vezes implacável, pode fazer e desfazer os segredos e os caminhos. Aldebaran na verdade nunca será a estrela derrotada, tem companheiras que se juntam a ela, a estrela guardiã, e a seguram no momento da Queda.
Surge então de repente, no meio da noite escura, como nos contos de fadas, uma luz que tem voz e canta. No canto esboçam-se formas, que vão adquirindo vida. E ergue-se então e para sempre quem tenha caído por terra.
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