Monday, May 29, 2006

H.M.Continuando

" Passagem.
Venceu o gosto de esconder. A reserva, a prudencia, levaram a melhor, a contenção natural, a instintiva tendencia chinesa de apagar os rastos, evitar pôr-se a descoberto.

Venceu o gosto de esconder.
Assim o escrito ficou protegido, secreto; segredo entre iniciados.

Segredo difícil,demorado, difícil de partilhar, segredo para fazer parte de uma sociedade no interior de uma sociedade.Círculo que durante séculos e séculos permanecerá no poder.Oligarquia dos subtis.

O prazer da abstracção levou a melhor.
O pincel permitiu o passo, o papel facilitou a passagem.

O real original, o concreto e os sinais que lhe eram próximos, eram algo de que se tornara possível abstrair sem dificuldade; abstrair, avançar, depressa com traços escorregando sem resistencia no papel, permitindo um outro modo de ser chinês.

Abstrair-se tinha levado a melhor.
Ser mandarim tinha levado a melhor."

3 comments:

marieta12 said...

gosto das suas palavras

Fokas said...

...escritas com pincel de marta...

Yvette Centeno said...

Queridos,
A tradição do "mandarinato" manteve-se e foi reforçada com MAO.Estou a guardar o livro,de que o Bernardo me foi lendo páginas terríveis, para as férias( ? ) de Verão.
A visão que um chinês tinha (ou ainda tem?)de si mesmo não era a de um ser individual, mas a de uma identidade colectiva,plural.
Vê-se bem ao ler o YI KING (trad.franc.) ou I CHING (trad. alemã).Há sempre uma imagem e um Juizo para o indivíduo e para a sociedade( o colectivo).
Daí que para Mao, o grande mandarim do séc.XX ,deixar morrer à fome 10 ou 20 milhões de pessoas fosse o mesmo que pedir a um só o sacrifício supremo pela pátria...