Monday, October 22, 2007

Fables de La Fontaine



Mais uma obra-prima de Bob Wilson, desta vez as Fábulas de La Fontaine, na Comédie Française.
Podemos comprar o dvd, mas podemos também pensar: por que razão os nossos teatros nacionais não escolhem, uma vez por ano, para as crianças, matérias que sejam ao mesmo tempo belas e didácticas? As fábulas de La Fontaine são para crianças e adultos, como toda a boa literatura, que é universal.
E à imaginação do encenador cabe actualizar o seu sentido que, por ser ético, é também de todos os tempos.

6 comments:

tia adoptada said...

É minha convicção que La Fontaine visava, sobretudo, o público adulto; mais precisamente, teria como leitor(a) ideal leitor@s capazes de reconhecer a crítica velada que fazia aos excessos da corte. Este é um caso em que, a meu ver, a presença do adulto mediador se impõe, entre o livro e a criança. Cara Professora, não acredito numa Ética de todos os tempos nem de todos os lugares. A Ética que lá encontramos é datada e pessoalmente coloco muitas reticências à forma como os textos são abordados actualmente, muito particularmente nas escolas, permitindo-se que acabem por veicular a ética do «cá se fazem, cá se pagam», «olho por olho, dente por dente», «ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão»; uma ética em que prevalece a lei do mais forte - que não do mais justo ou sábio ou solidário... Uma ética de egoísmo, do individualismo; uma valorização do trabalho pelo trabalho, do trabalho pelo lucro monetário individual e não pelos benefícios sociais e muito menos em função do prazer; uma total desvalorização das artes e do lazer. Esse não é o mundo em que quero viver. Esses não são os meus valores.
Falo «de cor», no sentido corrente da expressão mas também no etimológico; «de cor» pois não vi a encenação; «de cor» porque com a «paixão» que me move a literatura enquanto (de)formadora de mentalidades.
Cara Professora. Desculpe-me a ousadia de ter opinado. Essa ousadia diz sobretudo do apreço que me merece a sua Obra - também no sentido alquímico:-)

Yvette Centeno said...

Cara tia,
Concordo com tudo o que afirma em relação à perda ou estreiteza de valores; não são esses que ocupam o artista, mas sim os da transformação. Daí que se possa dizer que quanto mais "local" ou "particular" é a voz de um artista tanto mais universal.O génio de Bob Wilson é o de transformar tudo aquilo em que toca : ele coloca num espaço que só ele define, sem outras considerações que não sejam de estética, os temas que vai tratar.
O facto de as Fábulas deverem ser vistas na companhia de adultos é outro assunto. Concordo plenamente, as crianças devem crescer com os adultos, e não abandonadas a si próprias , como é tantas vezes o caso, por cansaço, preguiça ou simples egoismo dos pais ( refiro-me aos que podem, não aos que não podem mesmo e infelizmente também são muitos na nossa sociedade).
Levada pelos meus pais eu vi aos 5 anos de idade no nosso Teatro Nacional ( 1945, veja só ! ) as Aventuras do Zé do Telhado. Nunca mais me esqueci.

Yvette Centeno said...

Mas não é magnífica a "lição" da rã que incha de vaidade até rebentar?

maria m. said...

concordo que as fábulas seriam maatéria lúdica e didáctica de peças de teatro para um p~ublico infanto-juvenil.

e concordo que o acompanhamento dos educadores (ainda que pouco, quando não pode de facto ser mais) é imprescindível.

tia adoptada said...

«essa» lição é magnífica; o problema é quando a mesma fábula é usada para formar uma mentalidade conformista e classista: cada um no seu lugar, sem aspirações a mais...

Yvette Centeno said...

I must complain about the terrible translations that are made in this system, please try to improve!!!