Thursday, August 30, 2007

De Tavira com Amor



I

De dia
a espera
mais longa

de noite
a lua
mais branca

entre a noite
e o dia
o Anjo
que chora
e canta

quebrada
a flauta de jade
perdeu-se
a magia antiga

chora o Anjo
canta o Anjo

asas da melancolia

II

Entre as rendas da avó
há uma renda que voa
é uma renda-borboleta

voa
mas não à toa
é uma renda discreta

procura uma flôr azul
uma flôr branca
ou de ouro

é uma renda-borboleta
vai sozinha
no seu vôo

III

Sonhos confusos
engolidos
pela onda mais negra

água
do rio que passa

à beira-rio
a sombra-mãe aguarda
esconde os sonhos na caixa

3 comments:

adam said...

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Gawain said...

Sweet Yvette:

How very beautiful. I am enchanted by the rhythm and the way in which it shifts subtly and without any sense of being disjointed: the shifts in rhythm themselves are imperceptible. Simply one suddenly finds himself in new territory altogether without quite knowing how one got there. Delicious.

José said...

Poema para Y

Chegaste à morada
onde se acolhem
as únicas certezas da vida,
as vozes que te acompanham
na circulação íntima do sangue
às palavras cujo fim sabes
encadear como música.
Sabes de cor pelo som
dos passos quem regressa
com a luz ao fim da tarde.
E pela janela vês ainda
que te chegam as árvores,
as ramadas que tocam
nos livros sem fundo
e que não se fecham
ao riso súbito das crianças.