Lições de Mestres...
Tuesday, June 19, 2012
Schubert Canto do Cisne
Lições de Mestres...
Wednesday, June 13, 2012
Orfeu nos Infernos: a desconstrução de um mito
A primeira apresentação data de 1858 e foi considerada a primeira opereta clássica com tal nome.
O libreto recupera a mitologia grega como divertimento por vezes delirante e sempre em busca de uma gargalhada divertida.
O enredo envolve os dois deuses, Júpiter no seu Olimpo, Plutão no seu Hades, para onde Eurídice, cobiçada por ambos, deveria ter ido.
Neste fragmento Júpiter, sob a forma de mosca, seduz a bela, levando a melhor sobre as trevas ( e sobre o triste Orfeu! )
Coisas dos deuses....
Thursday, June 07, 2012
A Princesa Pele de Burro
Saturday, June 02, 2012
Bob Wilson, a Rainha e o Poeta...
A História de Inglaterra está presente - revela-se na figura orgulhosa da Rainha Isabel I, Mecena das Artes.
O Poeta é o que são todos os poetas....inspirados, mas sempre dependentes!
A recriação do Soneto: um momento do génio criador de Bob Wilson; sabe como evocar um mundo de sonho e fantasia e ao mesmo tempo desconstruir a obra no nosso imaginário.
A leitura surge no fim, em alemão, pois foi uma produção do Teatro de Hamburgo, com os actores com que Wilson, desde o Black Rider, se habituou a trabalhar.
Fica o repto: quem fará algo de semelhante com os Sonetos de Camões?
Tuesday, May 29, 2012
Le Coq d'Or
Saturday, May 19, 2012
Ganymedes, no coração do mito:
filho do Rei Tros, que deu o nome a Troia, era o jovem mais belo que se conhecia e por isso foi escolhido pelos deuses para servir Zeus.
Consta que Zeus desejava algo mais, desejava-o para seu amante. Assim, disfarçando-se de águia, arrebatou o jovem das planícies troianas.
Hermes, para consolar Tros do seu desgosto e da sua perda, oferece ao desditoso pai uma taça de ouro, fundida por Hephaestus ( o esposo de Vénus), mais dois belos cavalos,assegurando-lhe que Ganymedes era agora um ser imortal, poupado às misérias da velhice, e que sorridente, de taça de ouro na mão, serviria para sempre o néctar divino ao pai dos céus (Zeus).
Todo o mito contém uma lição: neste, o que inspira Goethe, poeta de grandeza universal, é a lição de que a paixão dos excessos do Belo, para ser eterna, não pode durar muito, uma contradição apenas aparente, o poeta com este poema liberta-se da sua ânsia juvenil, abrindo espaço para outras fases da sua criação.
E ainda outra: que o poeta (o criador) que faz unicamente do Belo a sua paixão corre perigo, pois o muito amor dos deuses que amam o Belo através dele (a sua obra) mata em vez de redimir.
Bibliografia:
Robert Graves,(The Greek Myths, vol. I, II)
Monday, May 07, 2012
Mais Poetas da Catalunha...
Monday, March 26, 2012
A Valquiria

Continuando com esta ópera grandiosa de Wagner, vemos que no segundo Acto se dá então a ver o brilho esplendoroso da Valquíria, Bruennhilde, também ela filha de Wotan e sua preferida, talvez por ter sido gerada com ERDA, a Grande-Mãe, a Natureza cuja voz mística e profunda Wotan não respeitou, fazendo com que a maldição do anel destrua os deuses e com eles toda a esperança de um mundo melhor. Algo que se verá no CREPÚSCULO DOS DEUSES.
De início tudo parece bem no melhor dos mundos, mas a ilusão depressa se desfaz. Surge a severa e impiedosa Fricka, a quem o dever diz mais do que o amor, ainda menos a paixão, pois Wotan, infiel e sempre apaixonado, mas por outrém, não lhe inspira respeito. Assim, enquanto antes pedira a Brunilda ( aportuguesando o nome ) que protegesse Siegmund, depois de ceder cobardemente à exigência de Fricka ( as razões dessa moral parecem pouco credíveis, mais próximas do ciúme do que de outra coisa ), agora exige e com brutalidade que deixe morrer o herói na sua luta com Hunding,o marido de Sieglinde.
As belíssimas Arias de Brunilda exprimem uma consciência moral que falta ao pai dos deuses. A sua voz é a verdadeira voz do Amor e do respeito pela palavra dada.Wotan dissera ao filho que uma espada especial lhe estava reservada bem como uma glória merecida.Deixou-o aceder à espada, tão facilmente como depois lhe retirou todo o apoio. É Brunilda quem se escandaliza com o comportamento do pai, é ela que tenta fazer com que Siegmund não enfrente o inimigo, e será ela quem salvará Sieglinde de um triste destino, não a deixando cair nas mãos do cruel marido.
Wagner põe à discussão, neste segundo Acto, a Consciência e a Honra. Por outras palavras dá-nos de novo a pensar o que significam o Bem e o Mal, numa época (como a sua, de resto) em que o progresso que a Revolução Industrial parecia trazer abafaria as razões mais nobres da Liberdade, do Amor, da Igualdade, da Fraternidade e outros sonhos que pouco a pouco cairiam, como se verificou nas óperas seguintes (e na própria História da Alemanha).
A cobardia moral de Wotan traça o destino do herói.A esfera pendular cessa o seu movimento (ideia fantástica do grande encenador-leitor que foi Chéreau ).
Na última cena, a preocupação de Brunilda com o primeiro pedido do pai (e a palavra dada por ele a seu filho) faz com que tente proteger Siegmund da lança traiçoeira.
Wotan irrompe furioso e quebra a espada: In Stuecke das Schwert ! Que se quebre a espada !
Brunilde foge com Sieglinde e Wotan ameaça castigar a filha que não respeitou a sua ordem.
Retira-lhe a condição divina, fá-la cair em sono profundo no alto de um rochedo rodeado de fogo que só um grande herói poderá atravessar.
António Tabucchi
Sunday, March 11, 2012
Saturday, February 11, 2012
Perejaume:Os Lugares da Pintura
Tal como fiz com Arnau Pons, apresentarei aqui algumas versões dos seus poemas, esperando a benévola reacção dos meus leitores.
Traduzir é como se sabe, parcialmente trair, mas a quem ama a poesia tudo deve ser perdoado!
A GRANDE COLHEITA
Na casa, o fogo faz arder portas falsas.
Fundem-se pouco a pouco na dôr,
Sobre a folhagem luz a serrania,
da talha, o acanto luminoso que faz ondular
Thursday, February 02, 2012
Arnau Pons : a palavra que ofusca
JUNTO À LUZ
que fracturada vem do alto
com débil ferocidade:
a neve que entre- dois-
crepúsculos trocava blafésmias,
bem nossa
é a palavra que ali se acrescenta,
e sem chama, os alvos,
quando lembranças não desejadas trazem dor,
os tão calados,
de súbito
caem
aqui.
Então será preciso suspender o cansaço
por horas, solidão.
( neige-en-dedans blancheur
occultée
où tourne le témoin
JEAN DAIVE)
ARNAU PONS : a palavra que ofusca
NOITES QUE FABRICAS, rigorosas;
as mãos na
clara-sementeira das centáureas
o sangue derramado exposto
ao vento,
Tantas estrelas quantas podes abarcar,
tanto negrume de nuvens, tantos
desastres de chuva, as imagens do mundo
destituídas,
tudo isto se abre,
decresce
extingue-se apenas
dentro da cesura, um corte
de miséria com
os tenros anos no cardal,
de novembro a novembro,
dentro das gaiolas,
como os tão vãos
ofiúros da videira, com a dormideira,
junto aos duplos reinos:
entre os dedos toda
aquela escuridão que estagna, eterna;
mais nada.
