Monday, May 07, 2012
Mais Poetas da Catalunha...
Monday, March 26, 2012
A Valquiria

Continuando com esta ópera grandiosa de Wagner, vemos que no segundo Acto se dá então a ver o brilho esplendoroso da Valquíria, Bruennhilde, também ela filha de Wotan e sua preferida, talvez por ter sido gerada com ERDA, a Grande-Mãe, a Natureza cuja voz mística e profunda Wotan não respeitou, fazendo com que a maldição do anel destrua os deuses e com eles toda a esperança de um mundo melhor. Algo que se verá no CREPÚSCULO DOS DEUSES.
De início tudo parece bem no melhor dos mundos, mas a ilusão depressa se desfaz. Surge a severa e impiedosa Fricka, a quem o dever diz mais do que o amor, ainda menos a paixão, pois Wotan, infiel e sempre apaixonado, mas por outrém, não lhe inspira respeito. Assim, enquanto antes pedira a Brunilda ( aportuguesando o nome ) que protegesse Siegmund, depois de ceder cobardemente à exigência de Fricka ( as razões dessa moral parecem pouco credíveis, mais próximas do ciúme do que de outra coisa ), agora exige e com brutalidade que deixe morrer o herói na sua luta com Hunding,o marido de Sieglinde.
As belíssimas Arias de Brunilda exprimem uma consciência moral que falta ao pai dos deuses. A sua voz é a verdadeira voz do Amor e do respeito pela palavra dada.Wotan dissera ao filho que uma espada especial lhe estava reservada bem como uma glória merecida.Deixou-o aceder à espada, tão facilmente como depois lhe retirou todo o apoio. É Brunilda quem se escandaliza com o comportamento do pai, é ela que tenta fazer com que Siegmund não enfrente o inimigo, e será ela quem salvará Sieglinde de um triste destino, não a deixando cair nas mãos do cruel marido.
Wagner põe à discussão, neste segundo Acto, a Consciência e a Honra. Por outras palavras dá-nos de novo a pensar o que significam o Bem e o Mal, numa época (como a sua, de resto) em que o progresso que a Revolução Industrial parecia trazer abafaria as razões mais nobres da Liberdade, do Amor, da Igualdade, da Fraternidade e outros sonhos que pouco a pouco cairiam, como se verificou nas óperas seguintes (e na própria História da Alemanha).
A cobardia moral de Wotan traça o destino do herói.A esfera pendular cessa o seu movimento (ideia fantástica do grande encenador-leitor que foi Chéreau ).
Na última cena, a preocupação de Brunilda com o primeiro pedido do pai (e a palavra dada por ele a seu filho) faz com que tente proteger Siegmund da lança traiçoeira.
Wotan irrompe furioso e quebra a espada: In Stuecke das Schwert ! Que se quebre a espada !
Brunilde foge com Sieglinde e Wotan ameaça castigar a filha que não respeitou a sua ordem.
Retira-lhe a condição divina, fá-la cair em sono profundo no alto de um rochedo rodeado de fogo que só um grande herói poderá atravessar.
António Tabucchi
Sunday, March 11, 2012
Saturday, February 11, 2012
Perejaume:Os Lugares da Pintura
Tal como fiz com Arnau Pons, apresentarei aqui algumas versões dos seus poemas, esperando a benévola reacção dos meus leitores.
Traduzir é como se sabe, parcialmente trair, mas a quem ama a poesia tudo deve ser perdoado!
A GRANDE COLHEITA
Na casa, o fogo faz arder portas falsas.
Fundem-se pouco a pouco na dôr,
Sobre a folhagem luz a serrania,
da talha, o acanto luminoso que faz ondular
Thursday, February 02, 2012
Arnau Pons : a palavra que ofusca
JUNTO À LUZ
que fracturada vem do alto
com débil ferocidade:
a neve que entre- dois-
crepúsculos trocava blafésmias,
bem nossa
é a palavra que ali se acrescenta,
e sem chama, os alvos,
quando lembranças não desejadas trazem dor,
os tão calados,
de súbito
caem
aqui.
Então será preciso suspender o cansaço
por horas, solidão.
( neige-en-dedans blancheur
occultée
où tourne le témoin
JEAN DAIVE)
ARNAU PONS : a palavra que ofusca
NOITES QUE FABRICAS, rigorosas;
as mãos na
clara-sementeira das centáureas
o sangue derramado exposto
ao vento,
Tantas estrelas quantas podes abarcar,
tanto negrume de nuvens, tantos
desastres de chuva, as imagens do mundo
destituídas,
tudo isto se abre,
decresce
extingue-se apenas
dentro da cesura, um corte
de miséria com
os tenros anos no cardal,
de novembro a novembro,
dentro das gaiolas,
como os tão vãos
ofiúros da videira, com a dormideira,
junto aos duplos reinos:
entre os dedos toda
aquela escuridão que estagna, eterna;
mais nada.
ARNAU PONS : a palavra que ofusca
O NOME DO ARCO és tu;
a sua flecha,
uma foice negra.
Lança-a para o alto:
leva consigo, cravado no coração,
um fruto por morder –
-ceifado.
ARNAU PONS : a palavra que ofusca
CHEGAS, acreditas, ao fim,
que a água obtura
com a sua espectral maneira
do não dizer,
e lanças-te aí
para respirar a falta de ar,
fendida pelos vivos
tremores da emanação concêntrica
formada dentro de ti. Então voltas ao barro;
sobre os seixos crescem
os flocos de ninguém que lês e fazes teus.
Atravessas a hora,
a cicatriz gasta daquele olho;
persistes: dele extrais,
a pouco e pouco, a luz viscosa
da adormecida estrela que abandonas,
sonhando,
num ramo incertamente escrito.
Um peixe morto, desolhado,
rasteja pelo abismo, seguindo a invertida
Via Régia
rumo à promessa que quebraste.
Dois reis giram à tua volta;
és posto
fora
de todos os lugares,
e a ti mesmo te investes como rei.
Arnau Pons : a palavra que ofusca
AGARRAS-TE à voz, luz de destempo
que faz encaminhar a vida;
ninguém
se cala, todos querem escrever as trevas;
em direcção a ti, aquilo: empalidece
com lepra e neve a mão coberta,
as unhas com arcos de promessa;
rastos: que esboçam?
portas: que abraçam?
real uma só paisagem: os mudos,
arteriais, dragões alados de Medeia;
cosidas letras
estrias do céu;
sob a pele,
ficam os cadáveres das palavras;
uma poça de sangue abafa no escuro
um grito;
subitamente ergues os olhos
para a escória.
ARNAU PONS : a palavra que ofusca
Saturday, December 17, 2011
Eduardo Lourenço, Prémio Pessoa 2011
Thursday, December 15, 2011
Rui Zink

De Rui Zink, mesmo a tempo do Natal:
Friday, November 25, 2011
Outonais
Tuesday, September 27, 2011
Helder Macedo, A Poesia é de Sempre
Foi lançado o novo livro de Helder Macedo, com poemas novos e velhos, segundo o título e a indicação das datas: mas não há tempo certo na palavra poética, só infinita e universal duração..