Tuesday, July 10, 2007

O Cavaleiro




Vai veloz o cavaleiro
na sua nova montada

Vai feliz e vai ligeiro
deixa para trás o lastro
que tanto o atormentava

Vê o céu à sua frente
no horizonte infinito

Vai feliz e vai ligeiro
não teme nenhum perigo

Leva a máscara na mão
deixa um coração partido
no peito do seu amigo

Wednesday, July 04, 2007

RENGA


1

If only I could
order the gusty breezes
I should like to say
I command you to leave this
solitary tree alone

2

The tree is old
it stands
facing the river

3

Night ferries
luminous swans
afloat on the moon's river

4

Silvery clouds
summerwinds blowing
on the sea

5

Burning forests
blazing summers
blinding suns

6

Un papillon aveugle
aimant
une lumière éteinte

7

Amar
só o efémero
as pétalas que caem

8

Like the sun and the moon
east and west
raising the light

9

O vento sopra
suavemente penetra
fecunda o ventre
da terra

Thursday, June 28, 2007

Jorge Queiroz



Do pequeno para o grande, do grande para o pequeno, assim foi caminhando Jorge, como Alice no País das Maravilhas.
Coube ao Museu de Serralves, sempre pioneiro nas suas apresentações, fazer desta antológica um grande acontecimento permitindo que se veja em Portugal a obra de um artista que já escolheu Berlim como segunda pátria.
A mostra deixou ver obras que vão desde o fim da década de 90 até às mais recentes, datadas de 2006.
Cito João Fernandes, na sua introdução ao livro que é agora memória da exposição:
"O desenho de Jorge Queirós combina e associa, acrescentando-lhes lugares estranhos, uma temporalidade ambígua, personagens híbridas, originárias de palcos cujos teatros, papéis ou peças resistem a uma leitura unívoca. Este é um desenho transiente, que se ocupa de transferências várias, entre técnicas, formatos, motivos, histórias e situações".

Parte do fascínio causado pela contemplação destes desenhos, que ao mesmo tempo pretendem ser e são, menos e mais do que isso, resulta da curiosidade que o percurso da mão nos desperta. Para onde empurra o lápis, o que vai buscar ao alto ou ao pé da página , ou de súbito descobrir no oco de um buraco que não seria suposto estar lá mas surge, como nos sonhos, sem função prévia que se adivinhe definida.
Nisto consiste a dimensão de maravilhoso que nos prende. Na surpresa, na associação livre que também a nós nos entusiasma e faz seguir o caminho que transforma o espaço branco num espaço aberto de criação.
Somos levados para dentro desse espaço pelas leituras múltiplas que o artista nos permite, ou oferece.
Seria fácil, para dar pontos de referencia, evocar a pintura metafísica, ou a pintura surrealista, cujo ideário foi claramente assumido por alguns na primeira metade do século XX.
Mas não seria suficiente, pois Jorge vai mais longe: conhece, e segue em frente, cita, mas desconstrói ou sublima. Deixa claro que o seu gosto é procurar, movido por uma pulsão que a ele mesmo inquieta, e se irá reflectir nas formas por vezes inusitadas e nas cores com que decide alterar o espaço do desenho.
Ao exercício, só aparentemente aleatório, das manchas que restringem, soma o artista a pontuação discreta, quase oculta, mas muito rigorosa das figuras perturbadoras: de costas, de frente, subindo, descendo, ora a esconder-se ora a surgir de surpresa como nos contos da infância ( não é por acaso que anda por ali um coelho ou se encontra uma chave...). Sublinho a importância das "marcas" dos objectos, cada um e todos eles com uma função própria, desviante: dizendo que há mais, há muito mais ainda, e como no enredo interminável das Mil e Uma Noites ali se encontram mil e uma formas que aspiram a ser ( como diria Goethe ) e a ser reconhecidas.
O que me leva a uma última reflexão sobre o Ser e o Tempo: a mão que foi desenhando e pintando, nestes quadros, aspira à materialização dos seus fantasmas no Tempo, um tempo mítico como o do espaço do Graal que Gurnemanz define ao jovem Parsifal atónito: " O tempo aqui transforma-se em espaço".
Caberá ao artista dar-lhe a dimensão ideal.

Monday, June 25, 2007

Sophia de Mello Breyner in memoriam



NA SOMBRA DE SOPHIA

As ondas são as mesmas,
saltam nas rochas
da infância

Sophia dança
na praia

Contam-se os grãos
do tempo,

não se pode virar
a ampulheta

( Praia da Granja, no dia de São João, Junho de 2007 )

Sophia de Mello Breyner


HÁ MUITO

Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa


MORTE

Que triângulo ou círculo poderá cercar-te
Para que te detenhas demorada e minha
Para que não desças toda pela escada


( Sophia de Mello Breyner,Onze Poemas, movimento/poesia1971)

Wednesday, June 20, 2007

Meng Chiao



With the spirit I feel...in silence there is no speech.
With the first awareness all fetters are dissolved.
In evening thought I incline toward a troubled morning.
The boat of the wanderer has no stop on the waves.
The horses neighed, the shafts were removed here.
My teacher, the hermit Yin Ch'in who lives in the thicket
Knows that there is a friend who understands him.

( Transl. by Iulian K Shchutskii and others,
in Researches on the I Ching, 1980 )

Thursday, June 07, 2007

Quando o Inverno Chegar



A não perder esta nova produção do teatro São Luiz: inspirada em Thomas Mann, com ecos beckettianos nas marcas do encenador, esta é uma grande produção com texto de José Luiz Peixoto, encenação de Marco Martins e dramaturgia em criação colectiva de Marco Martins, Nuno Lopes, Beatriz Batarda, Dinarte Branco e Gonçalo Waddington - sendo estes igualmente intérpretes. Do texto de Marco Martins no programa retiro os dois suportes da concepção-base : "a inércia e o movimento e a ideia de que pela comunicação artística se pode romper com a nossa própria inércia" sendo essa a única possibilidade de explicar ou de pelo menos tentar explicar a vida. Porque nem tudo é explicável e sobre o inexplicável paira sempre o mistério, perpétua interrogação.
A interpretação é notável, cada um dos actores construindo a personalidade neurótica dos caracteres, de forma a que não se perceba logo a dimensão trágica do seu oculto registo; saliento a performance de Beatriz Batarda, que constrói uma figura frágil, quase etérea naquela paisagem de pulsões inconscientes, mas sabendo que no coração da ingenuidade se escondem a intensa paixão e o intenso dizer da realidade.
Uma palavra para a música original de Pedro Moreira, executada ao vivo por um conjunto de câmara que só é pequeno no tamanho, acompanhando a voz de Carla Simões nos belos versos de Goethe.

De 7 a 30 de Junho.

Monday, May 28, 2007

Maiorias



As maiorias não apreciam a diferença.
Gostam de médias e de medianias, por isso são maiorias.

Friday, May 18, 2007

Gabriel Garcia Marquez



Saúdo a edição comemorativa desta obra maior que é CIEN AÑOS DE SOLEDAD, de García Marquez, levada a cabo pela Real Academia Española em conjunto com a Asociacíon de Academias de la Lengua Española.
É assim recordada ao público, em 2007, a edição de 1967, que havia de marcar para sempre o nosso imaginário romanesco.
Absorvida e digerida a herança surrealista avançava-se agora, pela mão dos heróis de Maconde ( aquela pequena aldeia de uma vintena de habitantes, no centro de um mundo "tão recente que muitas coisas careciam de nome e para as mencionar era preciso apontar com o dedo" )- avançava-se, dizia eu, para uma obra de maravilhação alquímica que se apossava dos leitores como os ciganos de visita à aldeia se apossavam da alma do incompreendido, ainda que respeitado, fundador.
E aqui estou eu fazendo de novo deste livro a minha companhia porque, como diz o cigano, "as coisas têm vida própria...é tudo questão de despertar-lhes a anima".
A anima, nem mais, como qualquer alquimista junguiano nos diria.
É esse um dos segredos da leitura e dos bons livros. Não morrem e dão-nos vida uma e outra vez.

Tuesday, May 08, 2007

Uma Casa Portuguesa



INEZ WIJNHORST apresenta a sua "Casa Portuguesa": há algo de babélico na acumulação dos andares, e os sótãos imperfeitos, como que inacabados, deixam espaço à imaginação de quem deseje continuar a construir, erguendo camada sobre camada...
A ideia de uma construção em aberto, ainda que perigosa ( pode ruir ) seduz. Ergue-se ao alto, como o castelo de cubos ou de legos das crianças. Reconstitui um certo imaginário da infância.
Mas esta casa fala ainda de outras coisas: dos espaços amontoados das sociedades modernas, do sufoco, não fossem as janelas em Portugal estarem quase sempre abertas, deixando ver a vida que se vive.
Deixa-nos ainda, esta casa de Inez, com a sensação de estarmos perante uma forma contida como um ovo mas que pode, a qualquer momento,explodir por força de tanta contenção.
Diz Gaston Bachelard que " o espaço é nosso amigo ". Mas na geometria imperfeita das vidas o espaço pode ser violento, a protecção pode falhar, dar-se uma explosão fatal. A casa portuguesa está a abarrotar de coisas e de gente.
A metáfora de Inez não me faz esquecer a nossa vida real: se puxarmos o fio será que resiste a um abanão mais forte ?

Friday, April 27, 2007

Manuel Alegre



Chega Manuel, com as Doze Naus :
....
"Entre aquém e além ser e não ser
tantas portas abertas ou talvez nenhuma.
Não há senão um verso por escrever
e sobre a areia branca a breve espuma."

Sente-se em alguns dos poemas uma inquietação melancólica, uma interrogação perplexa, uma quase lamentação interpelando um deus que continua escondido, uma voz que ainda não se fez ouvir, um verso que ainda não foi escrito: "Agora tenho de escrever o poema/ porque nada está escrito.E o que se acaba não acaba"...
É assim mesmo o tempo do poeta, cruza os mares da vida numa viagem sem fim.

Sunday, April 22, 2007



O MONTE

anoitecer suave
no topo das colinas

calam-se os pássaros,
as lebres e os coelhos
aninham-se nas tocas

sai um morcego
a mordiscar romãs

os gatos sorrateiros
saltam entre os telhados
em busca de algum ninho
ou de algum rato

luar de Agosto

lá em baixo
na estrada
conversam os namorados

Chanson pour mes petits-enfants




LE JOUR ET LA NUIT

Pendant le jour l'enfant s'amuse.
Il aime regarder autour de lui:
la maison
le soleil
l'arbre dans le jardin
l'oiseau qui vole dans le ciel
la voiture
l'avion
l'autobus ramenant les enfants de l'école
un petit garçon qui promène son chien
un autre qui s'en va jouer un peu plus loin...

La nuit descend, l'enfant s'endort
ses rêves sont heureux.
Parfois un monstre arrive qui fait peur
l'enfant crie au secours
le monstre disparaît
tout est bien dans sa chambre:
les jouets lui font signe
ils sont gais,ils sont là.
N'aie pas peur
dit le petit poussin
il est beau, il est doux
jaune comme un soleil.

Le soleil chasse l'ombre
l'enfant s'endort tranquille
bientôt le jour viendra.

Tuesday, April 17, 2007

A FERVURA DO AIRE



Um encontro de saudade com Antonio Dominguez Rey, poeta, professor, ensaista, no MAPA DA LINGUA PORTUGUESA NO MUNDO: "siga a trilha de quem fala português"...
Reli o seu estudo sobre Antonio Machado, encontrando na saudade que o poeta teve de Platão e de Cristo uma nova fórmula para um moderno Graal:

"Dices que nada se créa?
No te importe, con el barro
de la tierra haz una copa
para que beba tu hermano".

Mas de uma ideia parti para outra, a da poesia de Antonio Rey, ele mesmo poeta do encantamento da palavra.
E tão belo é o seu soar que não traduzo, apesar da língua-gémea facilitar a tradução, deixo no original um fragmento do poema que encontrei.Há navegações felizes...

A FERVURA DO AIRE

Subín ó monte cheo
de ruídos e espantallos
que arredaban as aves
sen poderen picar
os grans da miña sombra.
Adentreime entre os piños
e sentín lenta a luz
no corpo, xa baleiro
da teima que porfía.
Ergueito, nu, cos brazos
oferentes, as febras
do sol nos lises tenros,
cantei vellas gabanzas
à humidade das fontes,
ó arrecendo da terra,
ó rulo dos paxaros
no segredo da fraga.
Vivín, lonxano, o arrolo
do mar nas ponlas luídas
e fun herba silvestre
ou mastro na marea
sobranceira das árbores.
....
Voa, paxaro, ó fondo
pecho do ceo, voa.
A miña inquedanza abre
de anseios a gaiola.
Voa, corazón, voa
ó mais lonxe da vida,
que non me cabes dentro,
e douna por perdida.
....
O alento esvae sempre
un paxaro de lume
invisíbel e acende
a fervura bendada
da arxila no poema.
....
Hora na que a palabra,
sen ser, lucente abrolla
a vertixe do instante.
Inquedanza da sombra,
premura devanceira
que rexorde o tecido
do ceo con agoiros
e xemidos de cobre.
....
Morreron as palabras,
as frases, a sintaxe
do mundo.O que non morre
é a fervura do aire,
as raíces dos talos
que ruben polas gorxas
agoirando palabras.


Eis o canto, incompleto, com o desejo que deixa de continuar a ser.

Thursday, April 12, 2007

DALI



Um lema para todos os criadores:
"Desde pequeno o meu lema é o de Montaigne: não se consegue o universal senão a partir do ultra local" (Salvador Dali ).
Assim, em Figueras, se ia formando um génio cuja obra teve e tem reconhecimento indiscutível.
Pergunto, quem tem medo de ler Montaigne, hoje em dia, quem reflecte sobe a sua escrita sóbria, nítida, exemplar ? Do alto da sua Torre nenhum detalhe, nenhuma observação, lhe escapa.
Mas vinha isto a propósito de mais um achado meu nas caixas do CAVE CANIS: a reprodução da primeira novela de Salvador Dali, incompleta, e que o grupo transcreveu para a tornar acessível. Datada de 1920, já revela a imaginação prodigiosa que será sua marca, a par do gosto do local, neste caso uma pequena povoação perto de Figueras, onde situa o enredo. Mostro, para que conste, sem mais. O título é Tardes d'estiu, e a edição foi feita ao cuidado de Victor Fernandez. Escrito em catalão, seria interessante traduzir este texto, ainda que se trate de um fragmento.

Monday, April 09, 2007

A ARCA DE PESSOA



Amigos leitores de Fernando Pessoa, uma boa notícia:
Saiu já, em edição do ICS, com organização de Steffen Dix e Jerónimo Pizarro, o conjunto de comunicações apresentadas no Colóquio de Leipzig que ambos organizaram em 2005.
Parabéns aos organizadores e ao ICS que permite aos investigadores fazer obra continuada.
Agora é ler, a Arca está aberta, venham os novos Indiana Jones...

Tuesday, April 03, 2007

Palau i Fabre


Grande amigo de Picasso, Josep Palau i Fabre viveu em França na década de 40.
Colaborou em 1996, a convite da Fundação Gulbenkian, num ciclo intitulado CLARÓS INSTANT, Imagem e Palavra na Poesia Catalã Actual.
Devo dizer que talvez dessa ideia de Imagem e Palavra me tenha surgido a mim a ideia do nome deste blog.
Tinha tido a honra de conhecer Palau i Fabre muitos anos antes, em Barcelona, ficando aí a saber que ele era, não apenas um amigo, mas um dos maiores conhecedores da obra de Picasso.
Além de poesia, que deixarei documentada com um pequeno exemplo, interessava-se, como eu, pela simbólica alquímica.
Nas edições 62, Historia de la Literatura Catalana, podemos ler POEMAS DE L'ALQUIMISTA, publicados em conjunto com outro grande artista JOAN BROSSA.
Aqui fica a versão livre de um dos seus poemas, lido outrora, em 1996:

PEDRA ( a Xavier Zubiri)

Dura como a água dura.
Raiz de si própria.
Em êxtase perpétuo
a pedra perpetua
a pedra, imagem pura
e a ideia de pedra
se nos torna madura
(1942)

De um artista bem mais jovem, Perejaume, nascido em 1957, um poema que também foi lido entre nós e de que deixo a versão livre:

VOLTEM A PÔR

Voltem a pôr na terra o ouro, espalhem na montanha o bronze, o mármore e o marfim, para que representem aquilo que agora mais falta nos faz: o lugar de onde sairam..

Jan Fabre


Da caixa do Cave Canis, outra surpresa, Jan Fabre:
" M'agrada el moviment, els colors que es confonen entre ells,
la flama que es revifa, la brillantor i el centelleig de la llum,
la mort d'un tros de fusta, les brases, la foscor
i el nou començament..."

Aos Amigos do Cave Canis


Arrumando prateleiras, o reencontro feliz com os artistas de CAVE CANIS. Eram (são? ) muitos e animados de um espirito de liberdade e criatividade que neste momento ainda mais falta me fazem.
Cito, do Manifesto contra o Populismo Perverso:

" Sense ètica, no hi ha estètica.Ni dignitat.
...
L'art no és un entreteniment vagarós, lleure de privileiats que es miren el món des de fora, com a espectadors.Parafresejant Picasso/Tàpies:l'art es una arma de guerra contra l'enemic, un mitja per combatre l'obscurantisme i la violència.
...
En temps de barbàrie, vindiquem la il-lustració contra les tenebres,l'esperit critic contra el dogma...Això es: la dignitat contra la immundícia."

A ilustração é um negativo de MANEL ESCLUSA: La pedra, La Muntanya, L'Univers...
da exposição de Boston, 1983

Friday, March 23, 2007

ERATA


LABYRATIONEN. Livro de poesia e arte editado na Erata que não descura a literatura e a arte em complemento ou confronto.
Aqui poeta e pintor entendem-se quanto ao que desejam dizer: um desabafo severo contra a imprensa que comparam à lama das ruas, à folhagem caduca, entre outras coisas.
Adivinha-se um exercício de fronteira entre o perene, a obra de arte, a poesia, e o efémero, a vaidade de um círculo poderoso, é certo, mas que não ficará na memória do tempo.
Os autores são Michael Goller e Mike Wassermann, ambos pertencentes à geração que convive com os Media e por isso sente que pode relativizar o seu peso, a sua dimensão.
As imagens fortes de cada estrofe são lama, pó, insecto, folhagem caduca; o pintor desenha um jornalista de microfone na mão mas já percebemos que para ambos os criadores aquela voz, ainda que ampliada, é uma voz pequena.
Eis o poema:

À IMPRENSA

Vós sois
a lama que salpica
as ruas.

Vós sois
o pó
chamuscado
na luz.

Vós sois
o insecto
que pica
e zumbe.

Sois
como a folhagem
que cai no chão
e morre.